A abertura do encontro foi feita pelo ministro de Minas e Energia, almirante Bento Albuquerque, que destacou a Itaipu como caso de sucesso na cooperação entre dois países e na promoção da geração de energia limpa e renovável. “A transição energética começou no Brasil 50 anos atrás, quando decidimos, junto com o Paraguai, construir a Itaipu, um exemplo de sustentabilidade para os demais países”, afirmou o ministro.
Carbonell mencionou as medidas de enfrentamento das mudanças climáticas, dividindo-as em infraestrutura verde (ecossistemas) e infraestrutura cinza (obras, equipamentos e tecnologias) e classificando-as em medidas de adaptação e mitigação, e medidas de resiliência. Entre as medidas de mitigação e adaptação, destacam-se os investimentos na atualização tecnológica da usina, a implantação da microcentral termelétrica a biogás, a adoção de biometano para uso na frota e o plantio de 24 milhões de árvores nativas da Mata Atlântica na margem brasileira do reservatório.
Já as medidas de adaptação incluem o sistema de gestão da operação e manutenção da usina combinado com o regime hidrológico e a coordenação do Operador Nacional do Sistema (ONS), para promover o máximo aproveitamento energético de toda a água que chega ao reservatório; e a manutenção de mais de 100 mil hectares de áreas verdes em torno do reservatório, como estratégia de garantir a qualidade e a quantidade de água no longo prazo e, assim, promover a segurança energética.
“A sustentabilidade é parte do negócio da Itaipu. Ou seja, cuidar do território, em seus aspectos ambientais, econômicos e sociais, é algo diretamente ligado à geração de energia”, afirmou. “Por exemplo, 20% da água que passa pelas turbinas têm origem na área de influência direta do reservatório, em municípios do Mato Grosso do Sul e do Paraná. E cuidando bem das microbacias da região, podemos incrementar essa quantidade de água e, assim, gerar mais energia para o Brasil e o Paraguai”, completou.
Além da Itaipu, o evento “Soluções Sustentáveis em Água e Energia e seu papel no Combate às Mudanças Climáticas” contou com a apresentação de casos do Canal de Isabel II, empresa de saneamento da Espanha; do Instituto Privado de Pesquisas em Mudança do Clima (ICC), da Guatemala; da empresa SOLshare, de Bangladesh; e da Fundação de Energia Solar, da Alemanha. O evento híbrido (presencial e on-line) teve a participação de cerca de cem pessoas de várias partes do mundo.
O sub-secretário geral do Undesa, Liu Zhenmin, também participou, destacando a necessidade de recuperar o atraso em vários Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). A conselheira Maria Antonia Gwynn, da margem paraguaia da Itaipu, foi responsável pelas palavras de encerramento, chamando a atenção para a importância da cooperação internacional para a promoção do desenvolvimento sustentável.
Apresentação de estudo de caso
A agenda da Itaipu na COP 26 nesta quinta-feira também incluiu a apresentação do sistema de gestão territorial sustentável da Itaipu no estande do Brasil em Glasgow, com transmissão pelo YouTube por meio do canal do Ministério do Meio Ambiente. O secretário adjunto do Clima e Relações Internacionais do MMA, Marcelo Freire, destacou a grande diversidade de iniciativas sustentáveis da Itaipu com potencial para a cooperação internacional.
O case da binacional foi apresentado pelo superintendente de Gestão Ambiental, Ariel Scheffer da Silva, que mostrou um histórico da gestão do meio ambiente desde a concepção do projeto original da usina. Desde o início, foram adotadas medidas ambientais voltadas a maximizar a vida útil do reservatório, reduzindo a deposição de sedimentos. “A conservação da biodiversidade é vital para a proteção do reservatório. E são medidas que têm grande impacto econômico, uma vez que a redução em um ano na vida útil do reservatório implica em uma perda de 3 a 4 bilhões de dólares em faturamento na geração de energia para o Brasil e o Paraguai”, disse o superintendente.
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